A Ucrânia nas raízes, Leiria no caminho: seis histórias de atletas que nasceram para o desporto em Portugal

A Ucrânia nas raízes, Leiria no caminho: seis atletas unidos por uma história de superação

A 24 de agosto assinala-se o Dia da Independência da Ucrânia. Em Leiria, esta data pode ser contada também através do desporto e de seis atletas que, apesar de terem nascido já em Portugal, carregam nas suas histórias familiares uma ligação àquele país. Denis Hrabar, Nikita Miroshnyk, Albina Kachur, Arina Sharapova, David Grynchuk e Andriy Dzyalochynskyy representam três modalidades diferentes e têm em comum percursos que os levaram a competir ao mais alto nível nacional e internacional.

As histórias começam longe das pistas, dos pavilhões e das competições. Começam nas famílias que deixaram a Ucrânia e encontraram em Portugal um novo caminho, trazendo consigo memórias, valores, hábitos e uma identidade que não desaparece com a mudança de país. É já em Portugal que nascem estes seis atletas, é aqui que crescem e desenvolvem as suas carreiras e é também aqui, em diferentes clubes e estruturas desportivas de Leiria, que alguns deles dão os primeiros passos num percurso que os levaria muito mais longe.

No atletismo, Denis Hrabar é atualmente um dos nomes que melhor representa essa ligação. Formado na Juventude Vidigalense e atualmente atleta do Benfica, acaba de competir nos Campeonatos do Mundo de sub-20, onde terminou no 16.º lugar do decatlo, uma das disciplinas mais exigentes do atletismo pela diversidade de provas que reúne. Antes disso, já tinha alcançado um resultado de grande relevo ao terminar no 4.º lugar dos Campeonatos da Europa de sub-18, confirmando desde cedo uma presença entre os melhores atletas da sua geração.

Também na Juventude Vidigalense, Nikita Miroshnyk encontrou o espaço para desenvolver o seu talento no lançamento do martelo. Campeão nacional de sub-20, já teve igualmente a oportunidade de representar Portugal, num percurso que continua a ser construído através de uma disciplina particularmente exigente, onde a força tem de ser acompanhada pela técnica e por uma enorme consistência no treino. São dois atletas da mesma modalidade e com um ponto de partida comum no clube leiriense, mas cada um a construir o seu próprio caminho.

Na patinagem artística, os nomes de Albina Kachur e Arina Sharapova acrescentam uma dimensão internacional ainda mais evidente a esta história. Albina é campeã da Europa e acaba de conquistar a medalha de prata na final da Taça do Mundo, realizada em Cesena, Itália, resultado que confirma a dimensão do percurso que tem vindo a construir. Arina Sharapova também já levou o nome de Portugal a Campeonatos da Europa e do Mundo de Show, numa modalidade em que a preparação física e técnica se cruza com a expressão artística e em que o resultado final é consequência de um trabalho desenvolvido muito antes dos minutos em que os atletas entram em pista.

No futsal, a ligação passa pelo CCR Telheiro, onde David Grynchuk e Andriy Dzyalochynskyy fizeram a sua formação antes de chegarem ao Sporting. Também aqui a história é reveladora da importância dos clubes locais enquanto espaços de formação e desenvolvimento de jovens atletas. Andriy já viveu um dos momentos mais marcantes da sua carreira ao sagrar-se campeão da Europa de sub-19 por Portugal, enquanto David continua a representar as seleções nacionais jovens, dando sequência a um percurso que começou nos pavilhões de Leiria e que o tem colocado entre os jogadores acompanhados pelas estruturas nacionais.

Seis atletas, três modalidades e percursos diferentes, mas uma característica comum que dificilmente passa despercebida: todos nasceram em Portugal e todos têm raízes familiares na Ucrânia. E perante esta coincidência surge inevitavelmente uma pergunta: o que estará por trás de tantos percursos de sucesso? Será apenas uma questão de talento? Será o trabalho desenvolvido ao longo dos anos? A qualidade da formação encontrada nos clubes? O papel das famílias? Ou poderá existir também uma dimensão cultural, uma determinada relação com o esforço, a disciplina e a superação que é transmitida dentro de casa e que permanece mesmo quando os filhos já nascem longe do país de origem dos seus pais?

Não haverá certamente uma resposta única. O percurso de um atleta é sempre resultado de uma combinação de fatores e raramente pode ser explicado apenas pelo talento ou pela genética. Há a capacidade individual, mas também existem treinadores, clubes, famílias, oportunidades, condições de treino e, sobretudo, muitas horas de trabalho que não aparecem nas fotografias das competições. Neste caso, existe ainda um território que surge repetidamente nestas histórias: Leiria, onde estes atletas encontraram clubes e estruturas que lhes permitiram dar os primeiros passos e começar a transformar potencial em percurso.

É também isso que torna estas seis histórias particularmente interessantes no Dia da Independência da Ucrânia. Não se trata apenas de recordar a origem familiar dos atletas, mas de perceber como diferentes identidades podem coexistir e enriquecer uma comunidade. Denis, Nikita, Albina, Arina, David e Andriy são portugueses porque foi em Portugal que nasceram, cresceram e construíram as suas carreiras, mas carregam também uma herança familiar ucraniana que faz parte das suas histórias e das suas famílias. No desporto, essa dupla ligação encontra uma expressão particularmente forte: representam Portugal, competem por clubes portugueses e foram formados em estruturas portuguesas, sem que isso apague as raízes que trazem de casa.

O desporto tem, aliás, uma capacidade única para juntar estas diferentes dimensões. Um atleta pode representar um país, defender as cores de um clube e, ao mesmo tempo, carregar consigo a história da família e das gerações que o antecederam. No caso destes seis atletas, essa história passa pela Ucrânia, mas também por Leiria, pelos clubes onde começaram, pelos treinadores que os acompanharam e pelas competições que lhes abriram caminho.

No Dia da Independência da Ucrânia, que se assinala a 24 de agosto, o Leiria Desporto olha assim para uma ligação que se constrói muito para além das fronteiras: seis atletas nascidos em Portugal, seis percursos desportivos de relevo e uma herança familiar que continua presente. Diferentes modalidades, diferentes histórias e diferentes caminhos, unidos por uma mesma ideia: a capacidade de transformar raízes, oportunidades e trabalho em ambição.

A Ucrânia está nas raízes. Leiria faz parte do caminho. E Portugal é o país onde estes seis atletas nasceram e começaram a construir o futuro.

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