Os Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026 terminaram com uma marca particularmente forte para o desporto de Leiria. Ariana Monteiro, Auriol Dongmo e Irina Rodrigues conquistaram três medalhas de ouro para Portugal, em três momentos distintos e em duas modalidades, mas com um ponto em comum: a ligação a Leiria.
Primeiro foi Ariana Monteiro. Aos 17 anos, a futebolista leiriense assumiu a braçadeira de capitã da Seleção Nacional Sub-18 e liderou Portugal à conquista de um título inédito. Na final, frente à Itália, a equipa portuguesa venceu por 4-0, garantindo a primeira medalha de sempre do futebol português nos Jogos do Mediterrâneo. Ariana esteve em campo durante os 90 minutos.
Depois da conquista, a jovem capitã não escondeu a emoção. “Um sentimento inexplicável”, resumiu Ariana Monteiro, ainda sem conseguir assimilar completamente aquilo que acabara de acontecer. “Ainda não caiu a ficha, nem sei se vai cair”, confessou, numa declaração à Lusa.
O ouro de Ariana teve, por isso, um significado que ultrapassa o resultado de uma final. Foi a estreia do futebol português no pódio dos Jogos do Mediterrâneo e uma conquista que chegou pelas mãos de uma jogadora de Leiria, escolhida para liderar dentro de campo uma geração que acaba de inscrever o seu nome na história da modalidade.
Do futebol para o atletismo, a segunda medalha de ouro chegou através de Auriol Dongmo. Radicada em Leiria e treinada pelo leiriense Paulo Reis, a lançadora voltou a colocar o seu nome no topo de uma grande competição internacional. No lançamento do peso, conseguiu 19,42 metros, marca que lhe valeu o título e estabeleceu um novo recorde dos Jogos do Mediterrâneo.
O resultado, contudo, não satisfez totalmente Auriol. A campeã portuguesa foi particularmente exigente consigo própria e admitiu à Lusa: “Estou um bocadinho insatisfeita com o resultado.” A atleta explicou que vinha de uma semana de treinos em que se sentia “mesmo em super forma” e esperava conseguir “uma coisa extraordinária”.
Mas havia razões para celebrar. O lançamento de 19,42 metros permitiu-lhe cumprir também os mínimos para os Campeonatos do Mundo e juntar mais um título internacional ao currículo. “Saio satisfeita por ter feito os mínimos para os Campeonatos do Mundo”, afirmou, acrescentando estar feliz por conquistar “mais um título, mais uma medalha”.
Dois dias depois, o ouro voltou a falar de Leiria.
No lançamento do disco, Irina Rodrigues assumiu a liderança logo no segundo ensaio, com 62,51 metros, marca que se revelou suficiente para conquistar o título. A italiana Daisy Osakue, segunda classificada, ficou a mais de metro e meio, com 60,96 metros.
Para Irina, porém, aquela medalha valia muito mais do que um lugar no pódio. A atleta tinha feito questão de estar em Taranto e explicou à Lusa que não sabia quando teria uma nova oportunidade de participar nos Jogos do Mediterrâneo.
“Eu queria vir aos Jogos do Mediterrâneo. Eu acho que fiz mesmo muita força com a minha federação. ‘Quero mesmo ir lá, porque eu não sei quando é que vão ser os próximos em que poderei estar presente’”, revelou.
E quando a oportunidade chegou, transformou-a em ouro.
“Sair daqui com um ouro é tão satisfatório, juro. Estou tão feliz”, afirmou Irina, numa das declarações mais emocionadas da participação portuguesa em Taranto. A medalha trouxe-lhe também uma confirmação pessoal: é possível continuar a competir ao mais alto nível conciliando o desporto com o trabalho e os estudos. “É possível continuar a fazer boas competições não tendo clube, trabalhando e estudando”, explicou.
Três atletas. Três caminhos diferentes. Uma futebolista de 17 anos a liderar uma seleção numa conquista inédita, uma campeã mundial a regressar aos títulos internacionais e uma atleta olímpica a provar que a persistência continua a dar frutos.
Ariana Monteiro, Auriol Dongmo e Irina Rodrigues levaram três vezes o nome de Leiria ao lugar mais alto do pódio em Taranto.
E fizeram-no de maneiras muito diferentes: com a braçadeira de capitã, com o peso nas mãos e com o disco a voar. Mas todas trouxeram de Itália a mesma coisa: ouro para Portugal e mais uma página importante na história do desporto de Leiria.