Quando a tempestade Kristin passou por Leiria, não foram só campos e pavilhões que ficaram partidos. Foram sonhos interrompidos, rotinas desfeitas e o silêncio pesado de ginásios vazios onde antes se ouviam bolas a bater e risos de crianças. Entre destroços e telhados levantados, o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa tornou-se, por alguns dias, um símbolo do que se perdeu e do que terá de ser reconstruído.
No dia 10 de junho, a seleção portuguesa de futebol vai regressar a Leiria. Não apenas para jogar o último teste de preparação para o Mundial de 2026, mas para lembrar que o desporto, mesmo depois da tempestade, pode unir e devolver esperança. Toda a receita do encontro será canalizada para os clubes afetados, numa iniciativa que junta coração e ação.
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, percorreu o Município e garantiu que o apoio será concreto. “Podem contar com o nosso apoio incondicional. Queremos que os clubes da Associação de Futebol de Leiria se ergam novamente, com regulamento e financiamento”, afirmou.
Já Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, não escondeu o drama vivido pelo desporto local. Coberturas arrancadas, pavilhões interditados, treinos interrompidos. Mas destacou também os gestos que aquecem o coração: clubes a abrir portas para rivais treinarem, voluntários a reconstruir o que a tempestade levou. “A prioridade é colocar novamente as crianças e os jovens a praticar desporto. Só assim se protege a saúde mental e se mantém viva a esperança”, explicou.
A visita da seleção será mais do que um teste no campo. Será uma mensagem para todos os leirienses: não estão sozinhos. Entre destroços e ruídos de reconstrução, haverá uma bola a rolar e a certeza de que, mesmo depois da tempestade, o desporto pode devolver mais do que resultados — pode devolver confiança, comunidade e futuro.