Está concluído o mural da rotunda aérea de Leiria. Sabe o que significa?

Se, nos últimos dias, o leitor se meteu a caminho do Leiria Shopping ou ao Politécnico de Leiria, não pode ter deixado de reparar num rapaz, encavalitado numa grua, de latas de tinta nas mãos. Logo bem cedo pela manhã lá está ele, de gorro e bem agasalhado, a pintar uma parede junto à rotunda aérea, na Rua Dom Álvaro Abranches Noronha.

Ora, esse rapaz chama-se Miguel Mazeda, tem 27 anos e está a finalizar o tríptico alusivo à final four da Allianz Cup, que pelo terceiro ano consecutivo visita o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa.

A parede é imensa. A somar o que foi feito nos dois anos em que a prova esteve em Leiria, com o que o que agora está a ser concluído, a obra ocupa uma área de 600 m2. “Se formos somar tudo, possivelmente é a minha obra mais extensa”, diz o autor, de nome artístico Guel do It.

Alusão ao fair-play e a D. Dinis integram a terceira parte do tríptico

Fervoroso adepto do Vitória Sport Clube, cujo estádio tem mais de duas dezenas de murais de sua autoria, Miguel Mazeda está feliz com o legado que deixa na cidade. “Sim, gosto muito do resultado. Olhando para o estado do muro anteriormente e olhando agora, claro que é muito satisfatório ver o resultado final, porque dá uma cor incrível a esta entrada na cidade.”

E tudo, no tríptico, teve uma razão de ser. “De início já tinha a perspectiva que seriam três parte. Por isso, procurei criar uma obra que tivesse alguns elementos que conseguisse harmonizar. No entanto, não sabia o que poderia usar em cada um, porque tenho sempre de ter presente a identidade da Liga Portugal e de Leiria, mas também os elementos que mudam todos os anos, como a bola, que é um elemento muito identitário, muito interessante de usar e que traz sempre muita cor associada.”

Assim, em 2021, o primeiro ano na prova na cidade, Guel do It quis “retratar a chegada da competição à cidade”. “Temos um jogador que chega com a bola à cidade e ao estádio, também tem a taça e alguns elementos de Leiria, como o castelo.”

Mural de 600 m2 dá cor a uma das principais entradas na cidade

No ano passado, o artista procurou “intensificar o facto de se atribuir o título de Campeão de Inverno”. “Criámos um imaginário com um ambiente mais ártico e também usámos a questão da Cidade Europeia do Desporto, com várias modalidades representadas”. Já agora, aproveitou a ocasião para dar um retoque e acrescentar a medalha de Melhor Cidade Europeia do Desporto.

Este ano, em jeito de conclusão, o artista fez questão de trabalhar uma “mensagem positiva de fair play”, “importante e sempre pertinente”, mas também uma referência às corridas e caminhadas, que têm “uma enorme tradição da cidade”, e também ao papel do Politécnico de Leiria. Alguns elementos incontornáveis da região, como D. Dinis e o pinhal, completam a obra.

E pronto, está finalizado o trabalho de Guel do It  na cidade, ele que pinta murais desde os 15 anos. Fazia muitas viagens de carro com os pais e “ficava encantado com o que via nas autoestradas, em locais inacessíveis”. “Gostava de ver malta a fazer grafitti à beira da ponte da Arrábida, no Porto, e eu ia desenhando nos cadernos coisas semelhantes.” Agora, quando passar por Leiria, também vai sentir orgulho do que nos deixou por cá.

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